Quilombo Ivaporunduva no municipio de Eldorado-SP
Ivaporunduva
O Quilombo de Ivaporunduva esta localizado no Município de Eldorado São Paulo no Vale do Ribeira , na SP 165, Eldorado/Iporanga, às margens do Rio Ribeira de Iguape. Composta por 80 famílias, a Comunidade de Ivaporunduva tem uma população de 308 pessoas, sendo 80 crianças, 195 adultos e 33 idosos.
A sobrevivência dessas famílias é conseguida com o cultivo tradicional de roça: arroz, mandioca, milho, feijão, verduras e legumes para uso próprio. Para o consumo e geração de renda produzem banana orgânica e artesanato, recebem grupos escolares para turismo, além de algumas pessoas que são funcionárias da prefeitura e aposentadas.
Até a 4a. série do ensino fundamental, as crianças estudam na escola municipal da comunidade. Para as séries seguintes se deslocam em torno de 6 km, com transporte fornecido pela prefeitura, até a Escola Estadual Maria Antonia Chules Princesa, que iniciou recentemente um trabalho de educação diferenciada, na Comunidade André Lopes. Para cursar o ensino médio, freqüentam escolas no bairro de Itapeúna (a 30 km) ou na cidade de Eldorado (45 km). O ensino superior só é acessível em Registro ou São Paulo.
A comunidade possui também um posto de saúde, onde semanalmente um médico e uma enfermeira dão consultas. Para exames ou tratamento, é preciso recorrer ao hospital na cidade. O Telecentro Comunitário, com acesso à internet e oito computadores, trouxe a inclusão digital para crianças, jovens e adultos, facilitando a gestão da associação, pesquisas escolares, serviços diversos e comunicação em geral.
Histórico
Alguns registros citam a origem de Ivaporunduva ainda no século XVI. Um deles fala de uma antiga proprietária de terras e de escravos, dona Maria Joana, que teria adoecido e morrido enquanto se tratava no exterior. Sendo viúva e não tendo parentes, as terras ficaram para os escravos. Esse fato teria estimulado também a vinda de escravos fugidos, que resistiram à captura dos capitães do mato por volta de 1690, formando o Quilombo de Ivaporunduva.
Segundo o livro de tombo da paróquia de Xiririca, antigo nome da cidade de Eldorado, de 1813, Ivaporunduva é a mais antiga das comunidades do vale do Ribeira. Surge como povoado no século XVII, mesmo antes de Xiririca, por causa da mineração de ouro, encontrado em grande quantidade nessa área por dois irmãos mineradores, Domingos Rodrigues Cunha e Antonio Rodrigues Cunha com um grupo de 10 escravos.
Com a crise da exploração do ouro na região, os exploradores se dirigiram para Minas Gerais e abandonaram essa área. Os antigos escravos, que permaneceram, viviam basicamente da roça de arroz, feijão, milho, mandioca, batata doce, cana, café, abóbora, banana, nhame, cará, taiá (também conhecida como taioba, semelhante ao nhame), entre outros. Construíam suas casas com a técnica do pau-a-pique, utilizando o barro, madeira, cipós e capim do próprio local. Para caçar utilizavam o laço, mondéu (espécie de armadilha armada na trilha do animal), bodoque, arapuca e despique (armadilhas para captura de pássaros feitas de madeira ou bambu). O vestuário era bastante simples, composto principalmente de uma espécie de camisolão, utilizado no dia a dia. Roupas mais elaboradas, só eram utilizadas para ir à cidade e para as missas. Trocavam parte de sua produção por tecidos, querosene, sal e outros produtos utilizados no dia a dia, através de um intermediário, que era também fazendeiro de café.
Os primeiros troncos de família foram os de Francisco Marinho e Salvador Pupo. Organizavam-se em mutirões para a roça, construção de casas, fazer e manter os caminhos. Faziam festas como a do Divino, Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, juninas, São Sebastião.
A luta pela terra e contra as barragens planejadas para o Rio Ribeira fizeram com que a comunidade aumentasse e formalizasse a sua organização. Em 1994 foi fundada a Associação Quilombo de Ivaporunduva.
Reginaldo, em Barra do Turvo, é o mais novo remanescente quilombola reconhecido
Governador José Serra reconhece o 25º. quilombo de SP – Assentados e quilombolas puderam vender seus produtos no Parque da Água Branca (SP) durante o feriado; na ocasião também foram entregues 14 novos veículos para a Fundação Itesp, permitindo renovação e reforço da frota nos escritórios em Presidente Prudente, Pariquera-Açu, Sorocaba, Araquara, Araras, Andradina e Taubaté
Durante as comemorações do Dia da Consciência Negra, o governador José Serra reconheceu uma nova comunidade do Estado como remanescente de quilombo. O anúncio foi feito durante a Feira Quilombos em São Paulo, realizada pela Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp).
Reginaldo, na cidade de Barra do Turvo, no Vale do Ribeira, é o 25º. quilombo a ser reconhecido oficialmente no Estado de São Paulo. A entrega do relatório técnico-científico – que comprova o reconhecimento – foi feita pelo governador durante sua visita, na última sexta, dia da Consciência Negra, à Feira Quilombos em São Paulo, realizada no Parque da Água da Branca. O relatório foi entregue à quilombola Marizaura Pontes, professora em Reginaldo, que, mesmo grávida de oito meses, fez questão de encarar a viagem de seis horas de duração do Vale do Ribeira a São Paulo e, como líder da comunidade, receber o reconhecimento. “Esse é um dia histórico para nós”, disse Marizaura. A comunidade de Reginaldo tem cerca de 1600 hectares e 94 famílias. “Este feriado é um agradecimento a toda uma contribuição que a comunidade negra tem em nosso desenvolvimento”, afirmou o
governador.
O evento, realizado simultaneamente com a Feira dos Assentamentos Paulistas, ocorreu sexta e sábado na capital. Na ocasião também foram entregues 14 novos veículos para a Fundação Itesp, permitindo a renovação e reforço da frota nos escritórios em Presidente Prudente, Pariquera-Açu, Sorocaba, Araraquara, Araras, Andradina e Taubaté. “Isso tem um caráter histórico e ao mesmo tempo de suporte social. Há uma boa parte da comunidade negra que reivindica se transformar em comunidade quilombola e o governo hoje reconheceu mais uma. Além disso, nós entregamos veículos para ajudar no desenvolvimento dessas comunidades. O governo investe tanto na formação quanto no desenvolvimento produtivo delas, como no artesanato e na agricultura, para que possam ter renda e um futuro de oportunidades”, disse o governador.
A Fundação Itesp é a responsável, no Estado de São Paulo, pelo reconhecimento dos quilombos e de seus territórios, por meio da elaboração do relatório e demais estudos e levantamentos. Também fornece assistência técnica, apoio ao desenvolvimento e realiza investimentos em benefício das comunidades.
camiloaparecido.blog.terra.com.br/.../quilombos-do-vale-do-ribeira/
Notícias
Fome afeta 90% das comunidades quilombolas
Descendentes de escravos refugiados, assim como seus ancestrais, fazem parte da
camada mais baixa da escala social, aponta pesquisa
da PrimaPagina
As 144 comunidades quilombolas do Brasil — formadas por descendentes de
escravos refugiados — vivem, assim como seus ancestrais, na camada mais baixa
da escala social brasileira. Um levantamento do governo federal indica que em 126
(86,11%) comunidades quilombolas predominam famílias que tinham, em 2003, uma
renda de no máximo dois salários mínimos por mês. Na população brasileira, a
proporção é menor: 32,71% dos domicílios vivem nessa faixa de renda, de acordo
com a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2003.
O rendimento dos descendentes de escravos vem sobretudo de transferências de
recursos públicos, como aposentadoria (fonte de renda familiar em 126 comunidades
quilombolas, ou 87,50% do total) e programas sociais (48, ou 33,33%). No Brasil,
apenas em 73 cidades há mais de 30% da população dependente de transferências
de verbas governamentais. A produção agrícola é um dos meios de sustento em 87
comunidades quilombolas (60,4%).
O levantamento do governo federal foi feito a partir de um questionário elaborado
pelos Ministério do Desenvolvimento Social, da Agricultura, da Saúde, da Educação
e do Desenvolvimento Agrário, e também pela Secretaria Especial para Política de
Promoção da Igualdade Racial e pela Fundação Cultural Palmares, ligada ao
Ministério da Cultura. O resultado deu origem ao Sicab (Sistema de Informações das
Comunidades Afro-Brasileiras), no qual foram investidos R$ 69 mil. Algumas
informações, porém, estão incompletas, já que nem todas as comunidades dispõem
dos dados requisitados no questionário — das 144 localidades, 20 não sabem, por
exemplo, quantas famílias abrigam.
http://www.pnud.org.br - documento gerado : 01/02/2010 - 20:52:44
PNUD
O Sicab aponta que, apesar de a agricultura ser a atividade principal de boa parte
das comunidades, 129 locais abrigam pessoas que passam fome — em 27, a fome
atinge todas as pessoas da comunidade e em 55, a grande maioria. O problema é
atribuído à insuficiência da produção local para garantir a alimentação da população.
Em 188 comunidades (81,94%), o grupo mais atingido são as crianças.
O sistema também reúne dados sobre educação, criação de animais e pesca,
cultura, direitos do cidadão, fontes de alimentos, população, meio ambiente,
programas sociais, saúde e caracterização da terra.
No Brasil, o PNUD apóia dois projetos de apoio a quilombolas: Fortalecimento da
rede das comunidades quilombolas e Projeto de Melhoria da Identificação e
Regularização de Terras das Comunidades Quilombolas Brasileiras.
Texto originalmente extraído do site www.pnud.org.br
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
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